Em uma medida que consolida uma política externa de desengajamento multilateral, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou oficialmente a retirada do país de 66 organismos internacionais, incluindo 31 agências e programas diretamente ligados às Nações Unidas. A decisão, é vista como o maior abalo ao sistema multilateral desde sua fundação em 1945, afeta entidades dedicadas a clima, direitos humanos, comércio e democracia.
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Segundo comunicado do Departamento de Estado, a justificativa para as retiradas em massa é que essas instituições promovem “políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos” que conflitam com a soberania e a força econômica dos EUA. O governo as classificou como “redundantes, mal administradas, dispendiosas” ou capturadas por interesses contrários aos americanos.
A lista de entidades das quais os EUA se retiraram é extensa e abrange desde o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (vencedor do Prêmio Nobel da Paz) até a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, estrutura que abriga as principais negociações climáticas globais. O Fundo de População das Nações Unidas, a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e o Fundo das Nações Unidas para a Democracia também estão entre os cortes.
No campo dos direitos humanos, a saída inclui o Fórum Permanente sobre Afrodescendentes, a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Registro de Armas Convencionais das Nações Unidas. A Comissão de Direito Internacional, órgão jurídico da ONU, também foi afetada.
A Casa Branca afirmou que as retiradas “encerrarão o financiamento e o envolvimento do contribuinte americano” em entidades que, em sua avaliação, promovem “agendas globalistas” ou atuam de forma ineficiente. Os recursos, segundo o governo, serão realocados para outras prioridades nacionais.
Esta ação representa a culminação de uma política iniciada no primeiro mandato de Trump, que já havia cortado repasses e retirado os EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU, da UNESCO, da Organização Mundial da Saúde e do Acordo de Paris sobre o clima. A medida ocorre em um contexto mais amplo de revisão da participação americana em fóruns multilaterais e acordos internacionais.
A retirada de tantos organismos de uma só vez levanta questões sobre o futuro da governança global em áreas críticas como mudança climática e proteção de direitos, deixando um vácuo de liderança e financiamento que, segundo especialistas, outros países terão dificuldade em preencher. O impacto concreto na operação das agências afetadas ainda será calculado, mas a decisão já é vista como um redesenho profundo do papel dos Estados Unidos no cenário internacional.
